Nota da ABCMC sobre a imensa perda do nosso primeiro museu

A Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência – ABCMC, reunida na Plenária do seu III Congresso Nacional, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, em 14/9/2018, decide por fazer esta carta aberta à população, em defesa da universidade pública e gratuita, dos museus universitários e do IBRAM, instituto que contribuiu enormemente para o desenvolvimento do campo museológico brasileiro nos últimos anos.

A nossa percepção é que o descaso é antigo, mas que ainda se agravou muito com os cortes absurdos para ciência, tecnologia e cultura, que fazem parte do pacote do desmonte promovido nos últimos anos, que ainda congela essa situação pelos próximos 20 anos, como prevê a Emenda Constitucional 95, que precisa ser imediatamente revogada pelo próximo governo.

Além da qualidade de todas as suas contribuições para a ciência e para a cultura, o valor simbólico do Museu Nacional para a população brasileira é algo imensurável e por isso merece que lutemos com todas as forças pela sua reestruturação.

Não bastasse esse incêndio devastador, que foi a gota d’água para expor a grave situação em que vive grande parte dos museus de ciências brasileiros, sem recursos para garantir suas atividades em condições mínimas de qualidade e segurança ou mesmo tendo suas atividades encerradas, ainda foi imposta, sem nenhum debate com a comunidade universitária e museológica, uma nebulosa Medida Provisória que cria a Agência Brasileira de Museus – ABRAM, que ameaça de extinguir o IBRAM e retirar o Museu Nacional da UFRJ, fazendo o mesmo com os outros museus universitários, o que afronta a autonomia universitária e indica claramente fazer parte do processo de desqualificação da universidade pública. Em sentido contrário, reiteramos a visão da indissolubilidade do Museu Nacional e da UFRJ.

O retrocesso civilizatório a que assistimos hoje no Brasil é assustador e merece o nosso repúdio e a nossa resistência. Até mesmo mestres consagrados e símbolos da inteligência brasileira, como Paulo Freire, são tratados com desprezo e mesmo ódio.

  • Museu Nacional vive!
  • Pelo não fechamento de museus!
  • Pela preservação da autonomia universitária!
  • Pela manutenção dos museus universitários!
  • Pela não culpabilidade dos diretores e reitores!
  • Pela não aprovação da MP 850!